| Terça-feira, Junho 24, 2008 | |||
|
Universo ao meu redor
O gênero comédia nunca foi o meu favorito no quesito filmes e outros programas de TV. Sou muito chata e não consigo achar graça naquilo que todo mundo morre de rir. Chaves sempre achei deprimente, Tom Cavalcante me dá vergonha, Casseta e Planeta é tão sofrível que nem vou comentar. Pra mim humor pra ser bom tem que ter uma dose generosa de inteligência ou então a mesma de escracho total. Por essas duas questões me rendi ao Pânico (escracho total) e ao CQC (escracho com muita inteligência e sarcasmo) e esse último eu recomendo muito que seja assistido. O CQC, ou Custe O que Custar, é exibido na Band todas as segundas-feiras às 22h, bem naquele horário infame em que a Globo ta passando filmes de quinta categoria dublados, que o SBT ta reprisando Pantanal (!!!!!) e que a Record ta viajando na maionese com a novela dos mutantes. O programa é comandado pelo jornalista Marcelo Tas e oferece ao público humor com inteligência, principalmente quando o foco da pauta é o governo brasileiro – os caras descem o sarrafo tanto no presidente da república quanto no vereador da cidade de 1.000 habitantes do interior do Acre. A prova de que o programa tem fundamento e penso é que eles foram proibidos de entrar no Congresso Nacional. Inacreditável isso acontecer no ano de 2008, 20 anos depois do fim da ditadura e da censura. Se você é fã do CQC, clique aqui e ajude os caras a voltarem pro Congresso Nacional. ********************************************************* Ultimamente não tenho conseguido ver filme algum no DVD porque eu durmo em t-o-d-o-s. O Negão até briga comigo por causa disso, mas não consigo, não adianta. Na primeira cena meus olhos já começam a fica pesados e nos 10 primeiros minutos eu já to sonhando e ele sempre acaba vendo os filmes sozinhos. Mas sábado, aproveitando o dia cocô de inverno que fazia aqui em Porto, resolvi alugar dois filmes e resolvi que ia vê-los junto com o Negão. Um deles, Os Donos da Noite, já havíamos locado, o Negão inclusive já tinha visto, mas na ocasião eu dormi. O outro, chamado A Vida dos Outros, eu resisti e consegui ver. É um filme europeu (alemão) que se passa durante a Guerra Fria em Berlim Oriental. Um casal de artistas (um escritor e uma atriz de teatro) passam a ter suas vidas vigiadas por um membro do governo. Tenho mil restrições e preconceitos com fimes europeus porque na maioria das vezes os filmes acabam do nada e a gente fica com cara de idiota, sem entender porra nenhuma. A Vida dos Outros não termina do nada e a gente não fica com o ponto de interrogação cravado na testa, bem pelo contrário. É um filme muito inteligente, com atuações impecáveis de todo o elenco e que vale muito a pena ser assistido. ***************************************************************** São poucas as coisas que acontecem nesse mundo que me deixam chocada. Muito poucas, pra não dizer nenhuma. O caso Isabella não me abalou, a roubalheira dos políticos muito menos, atentados à bomba também não me afetam. Mas hoje de manhã vindo pra cá eu vi uma cena que me deixou mal de um jeito que poucas vezes eu fiquei. Descendo a ponte do Guaíba em direção ao sul do Estado, no meio da BR, um cara estava atravessando o asfalto puxando um cavalo. Reduzi a velocidade pra evitar qualquer possibilidade de acidente e, portanto, tudo ficou em câmera lenta. A visão que eu tive me arrepiou por dentro e fez minha espinha gelar de horror: o cavalo estava magro como um fiapo e partes do seu couro estavam caindo, possivelmente por conta das chicotadas que deve levar diariamente daquele infeliz que estava atravessando com ele pelo meio da estrada. Fiquei revoltada e por uma fração de segundos pensei seriamente em parar o carro e esmurrar aquela pessoa que estava puxando o animal. É inadmissível a utilização de carroças e assemelhados no meio de uma capital como Porto Alegre, mais ainda os maus tratos a que são submetidos os pobres animais que tem que conduzir esses veículos pré-históricos. Se alguém que lê esse blog faz parte de alguma sociedade de proteção aos animais, por favor, tome alguma providência legal pra tentar impedir esse tipo de coisa. |
|||
|
|
|||
| Quinta-feira, Junho 12, 2008 | |||
|
Amazing
O que eu mais gosto nele, acreditem se quiser, é a sua imprevisibilidade. Talvez porque eu seja uma pessoa previsível demais, que segue um script pra tudo. Essa virtude, que pra maioria das pessoas pode ser um defeito, é o que me encanta nele porque eu nunca sei qual vai ser a sua reação, então eu passo o tempo todo esperando. É como uma criança que espera pelos presentes no dia de Natal: ela não sabe quais são os brinquedos que estão escondidos sob aqueles papéis coloridos e tão cuidadosamente embrulhados, e seus olhos se enchem de brilho quando lhe é revelada a surpresa e ela percebe que ali está tudo o que sempre quis ganhar. O que eu admiro nele é a sua inteligência. Eu li em algum lugar que não existe nada mais sedutor do que a inteligência, então deve ser por isso que eu sou completamente hipnotizada por ele. Porque ele é inteligente sem ser arrogante, sem achar que é melhor do que alguém. Ele fala das coisas com propriedade. Aliás, eu adoro o jeito como ele fala porque ele gesticula de uma forma muito particular que é encantadora. O que eu mais adoro nele é o seu senso de humor, é a maneira leve como ele encara a vida. Em 2 anos juntos, conto nos dedos as vezes em que o vi de cara amarrada, de mal com a vida. Isso não faz parte da essência dele, é como se fosse imune às chatices do mundo. Mas o que eu mais amo nele é a maneira como ele me ama: sem amarras, sem frescuras, sem meias palavras, sem rodeios, sem mentiras, sem preguiça, sem tédio, sem dramatizações, sem censura. Feliz dia dos namorados pro melhor namorado do mundo: o meu. |
|||
|
|
|||
| Terça-feira, Junho 10, 2008 | |||
|
Hibernando
Eu já comentei aqui mais de milhares de vezes que eu não gosto do inverno. E cada ano que passa eu gosto menos; não consigo ver charme nenhum em andar toda enroupada, com os movimentos limitados e com aquelas botas de montaria que a moda inventou. Mas, enfim, não vou desfiar o meu rosário de reclamações para com o inverno porque já fiz isso várias vezes. Não é este o objetivo deste post. Talvez por causa do frio, não sei, mas costumo ficar mais reservada no inverno. Não tenho muita vontade de sair de casa, de encontrar pessoas, de conversar. Tenho preguiça, meus neurônios acho que se congelam. Quando as folhas começam a cair na rua e quando o vento começa a soprar mais gelado, eu entro no modo hibernação. Óbvio que não posso me dar ao luxo de ficar em casa, entocada, como fazem os ursos. Eu saio, eu trabalho, eu freqüento lugares, eu encontro amigos, eu vou à festas, mas não com a mesma vontade que eu tenho em outras estações. Porque se eu pudesse, ficaria esses longos 4 meses de frio debaixo do meu edredon de penas de ganso, preferencialmente com o melhor namorado do mundo ao lado. Quando então os dias começarem a ficar mais ensolarados, quando o perfume das flores substituir o cheiro das lareiras, eu volto a ser gente e retomo a vontade de verdade pelas coisas da vida. |
|||
|
|
|||
| Terça-feira, Junho 03, 2008 | |||
|
A Los Cubanos
Vou admitir publicamente a minha ignorância sócio cultural dizendo que sei muito pouco sobre a história de Cubba e sobre o modo de vida do povo que lá habita. Sei que o Fidel Castro foi o general-presidente até pouco tempo, que passou o bastão pro irmão também milico, que Che Guevara é ídolo no país. Sei também que o regime é comunista e que eles odeiam os Estados Unidos acima de qualquer coisa. Sei que o consumo é feito com produtos locais, que as fronteiras são fechadas, que ninguém entra e que quem sai é arrastado de volta na marra. O resto que sei sobre Cuba li num livro maravilhoso chamado O Rei de Havana, escrito por Pedro Juan Guterrez, que ganhei de aniversário do meu namorado. Dia desses, na sala de espera do consultório do meu terapêuta, lendo a Veja, me deparei com a entrevista de uma moça cubana que escreve num blog chamado Generación Y, que registra mais de 1 milhão de acessos por mês. O blog não tem nada demais, a não ser pelo fato de que ela narra ali fatos do cotidiano de quem mora em Cuba e podemos perceber que tarefas simples pra nós, como atualizar um blog, virão verdadeiras odisséias quando precisam ser feitas naquele país. Em Cuba o acesso à internet é restrito à órgãos públicos, ou seja, ter banda larga em casa pra falar no MSN com os amigos, nem pensar. Existem alguns cyber cafés do governo que disponibilizam o serviço de conexão, porém, segundo o que diz a moça, as filas são imensas (chega-se a esperar até 3 horas para usar um computador) e o custo é absurdamente alto. Citei o uso de internet como um exemplo bobinho, banal, e nem vou entrar no mérito das outras questões que são vetadas ao povo de Cuba. Como falei lá no começo, sei muito pouco sobre a história de Cuba pra poder emitir uma opinião, então sugiro a todos que acessem o blog e leiam alguns relatos sobre a vida em Havana. Destaco os posts entitulados “Ala y Ancla” e “No, por El momento”, mas todos valem a pena ser lidos. Nem que seja para valorizarmos um pouco o país de merda em que a gente vive. Interessou? Então clica aqui pra conhecer o Generación Y |
|||
|
|
|||
| Sábado, Maio 31, 2008 | |||
|
Leitura obrigatória
Pra quem é casado e vive 24 horas por dia junto e pra quem namora, mesmo que à distância, recomendo a leitura desse texto. Roubei do blog Nós Mulheres ÍNTIMOS, MAS NEM TANTO... Hoje me lembrei do que uma ex-colega de faculdade me disse uma vez sobre a vida de casada. Valéria, que tinha acabado de se separar, estava analisando os prós e os contras do casamento (em geral e o dela própria) e se saiu com a seguinte colocação: “A melhor coisa da vida de casada é você chegar em casa e encontrar seu companheiro te esperando com um pijama de bolinhas. E a pior coisa da vida de casada, sabe qual é? É você chegar em casa e encontrar seu companheiro te esperando com um pijama de bolinhas”. Achei perfeito. A rotina e a previsibilidade podem ser ótimas, porque nos dão sensação de segurança. Mas também podem ser fonte de tédio. Ao mesmo tempo que precisa se sentir seguro, o ser humano gosta de conviver com o inesperado. Quer o novo, o desconhecido, aquilo que por muito pouco escaparia ao controle. O pijama de bolinhas do companheiro nos enche de conforto emocional, mas tira nota zero no quesito surpresa. A sede de aventura às vezes fala mais alto e a vontade que se tem é de chegar em casa e encontrar um corpo sem pijama, ou, sejamos honestas, um outro corpo. Hoje me lembrei disso porque uma amiga que está namorando seu ex-marido, e andava muito encantada com o tom de romance que a relação ganhou neste segundo turno, acaba de ter seu primeiro choque de realidade. Ontem ligou pro ex, que está viajando, e a primeira coisa que ele perguntou foi sobre a temperatura em São Paulo. Depois discorreu sobre o tempo no Rio e em seguida fez um relatório sobre um acidente de trânsito que tinha acabado de ver. Minha amiga, que estava esperando palavras românticas, teve que se contentar com o que chamou de “boletim de rádio AM”. Trânsito, meteorologia y nada más. Acho que, quando se divide por muito tempo a fase do pijama de bolinhas, fica difícil reencontrar aquele tom de começo de relação. O pijama faz parte de um kit que não costuma incluir palavras muito românticas, gestos inesperados, pequenos rituais de sedução. O casal vai perdendo a cerimônia, pondo roupa de ficar em casa (em todos os sentidos) e, quando os dois se assustam, estão a um passo de virar irmãos. Minha amiga voltou com o ex disposta a evitar todas as ciladas do excesso de intimidade que contaminaram a convivência do casal. Começaram bem, mas, ao que tudo indica, ele recaiu rapidinho. O boletim de rádio AM é típico da fase do pijama consolidado, da burocracia ameaçando invadir todos os cantos onde antes existia paixão. Tem quem goste. Tem quem prefira a placidez dos afetos domesticados à imprevisibilidade de uma vida a dois que inclua surpresas e riscos. Minha amiga pertence à segunda tribo e está quebrando a cabeça na tentativa de descobrir o que fazer pra conciliar a intimidade herdada do passado com o novo encantamento. Quer conquista, charme, cerimônia, sedução. Tudo que não combina com pijama de bolinhas. Aliás, com nenhum pijama. Desejo sorte a ela – e a ele. Que os dois tenham amor e sabedoria suficientes pra resolver a equação. Á propósito, mais 24 horas. |
|||
|
|
|||
| Quarta-feira, Maio 28, 2008 | |||
|
ENQUETE
Quem quer a volta do blog Garota Enxaqueca põe o dedo aqui, que já vai fe-char o aba-ca-xi. |
|||
|
|
|||
|
Se essa merda não virar, olé, olé, olá, eu chego lá
Um marinheiro sem noção fez a gentileza de bater seu navio na ponte do Guaíba no último dia 30 de abril. O acidente reduziu em vários anos o tempo de vida útil e ainda produziu estragos na ponte. Por conta disso, engenheiros e técnicos da Concepa (a empresa que tem a concessão da ponte) trabalham desde a semana passada na recuperação e manutenção do local, sem data prevista para conclusão. Para reduzir a vibração do vão móvel da ponte, onde está sendo feita a obra, foram instalados redutores de velocidade nos dois sentidos (interior - capital e capital - interior), obrigando os motoristas a passarem de 100 km/h para 20 em questão de segundos. Essa medida tem gerado um congestionamento absurdo na estrada nos horários de rush (de manhã cedo e final da tarde) e um trajeto de 15km que se fazia em 15 minutos, agora pode levar até 40. Some a isso as carroças que insistem em trafegar pela estrada de noite no sentido Eldorado do Sul – Porto Alegre e está criado o caos. Para quem, como eu, faz esse trajeto diariamente, recomendo que carregue no carro muitos CDs, livros, revistas, comida, bebida e um baralho de cartas pra jogar paciência enquanto fica parado na beira da estrada esperando que o trânsito resolva andar. Where the streets have no name Ainda falando em trânsito, ainda falando em Porto Alegre, preciso registrar aqui que essa é a cidade das ruas sem nome. Incrível, mas encontrar uma placa de esquina com o nome da rua é como ganhar na loteria. E quando a gente dá a sorte e encontra, precisa de uma lupa pra ler o que está escrito de tão pequena que é a fonte usada pra indicar o nome. Estive em São Paulo há alguns e o que mais me chamou a atenção na cidade foi justamente isso: todas as ruas tinham placas de esquina enormes com seu nome e eram patrocinadas por empresas (a maioria levava a marca da Claro). Porto Alegre bem que podia adotar essa estratégia. Noção ?! Pra que mesmo? Chamada de capa no site do Terra agora: Ana Maria Braga comete gafe com ator de 'Duas Caras' Óbvio que eu cliquei pra ler. Segue abaixo a notícia: A apresentadora Ana Maria Braga deixou o ator Lugui Palhares, o Carlão da novela global Duas Caras, em uma situação desconfortável ao notar que ele é estrábico ao vivo no programa Mais Você na manhã desta quarta-feira. "Você é estrábico, nunca tinha percebido", disse ela logo que recebeu o ator. "Acho tão bonitinho, você pode paquerar uma moça e olhar para outra", completou. Ao perceber a gafe, Ana Maria perguntou a Palhares se ele ficou incomodado com a situação. "De jeito nenhum", respondeu ele. Pessoas estrábicas têm visão dupla e são popularmente chamados de vesgo. Isso acontece quando a visão atrofiada faz com que o olho tome uma posição qualquer. Hahahahahahahahahahahahahahahahahahah!!!!!!!! Vou me abster de comentários. |
|||
|
|
|||
| Quarta-feira, Maio 21, 2008 | |||
|
O anti manual
O que??? Como assim??? Manual para aprender a “domar” namorado ou marido??? Que história é essa??? Os caras agora por acaso viraram bichos selvagens, que precisam de domadores (as)? Ou então, transformaram-se em cachorrinhos de madame que necessitam adestramento??? Meu Deus do céu, cada vez que eu leio uma coisa dessas eu fico pensando na quantidade de mulheres loucas e inseguras que existe nesse mundo e que atormentam os namorados e maridos. Não dá pra ser feliz assim, tentando amestrar o outro como se ele fosse um bichinho. Cada um é do seu jeito e pronto, se não gostou, chama o próximo. Mas nunca tente mudar a personalidade de uma pessoa, nunca tente impor regras, criar limitações, dizer o que alguém deve ou não fazer. Isso não existe e não há relação que dure muito tempo se for baseada nesses manuais de instruções. Isso não garante sucesso em nenhuma relação, pelo contrário, isso só afasta as pessoas. Claro que tem muito homem que adora ser mandado pela mulher, mas eu posso apostar que esses são a minoria. Numa relação cada um deve ser si mesmo, deve ter seus gostos, suas manias e principalmente, sua vida própria. Sem essa de ficar policiando, a vida já é tão cheia de regras, pra que estabelecer mais uma em alguma coisa que deve nos dar prazer? Me desculpem as mulherzinhas inseguras, mas morte à todas vocês que tentam impor o seu estilo de vida ao do parceiro! Morte à todas vocês que fazem beiço quando o namorado diz que vai jogar futebol ou tomar cerveja com os amigos! Morte à vocês que não tem vida própria e acham que os namorados e maridos também não podem ter! Agindo assim vocês só vão conseguir uma coisa: um belo par de chifres bem no meio da testa! |
|||
|
|
|||
| Quarta-feira, Maio 14, 2008 | |||
|
Visão do inferno
O esqueleto de Amy Winehouse correndo num parque em Londres Fonte: Terra |
|||
|
|
|||
|
Casamento e não casamento - momento DR
Aqui na fábrica de computadores a gente seguidamente divide a mesa com outros colegas desconhecidos na hora do almoço, pois o refeitório é pequeno e não há lugar suficiente pra todos. Ontem sentei ao lado de duas moças que não faço idéia de quem sejam e o que façam, embora trabalhem na mesma empresa que eu. E por estar sozinha, foi impossível não prestar a atenção no assunto que elas estavam falando. A mais nova delas pelo o que pude entender, tem um namorado e no desenrolar da conversa ficou nitidamente claro que é apaixonada por ele. Porém, todavia, contudo, entretanto, está sendo assediada por um outro rapaz que não ficou claro se é aqui do trabalho ou de outro lugar. E ela tava contando todo o fato pra outra colega mais velha, que ouvia tudo atentamente e com uma cara de embasbacada. A colega assediada parecia estar num conflito e não sabia se traía o namorado com o novo pretendente ou se simplesmente cortava o assunto. A certa altura do papo ela olha pra colega mais velha e faz a pergunta: “se tu estivesses no meu lugar, o que tu farias???” E foi a resposta da outra que me inspirou pra escrever esse post. Ela disse: “tu não és casada com o fulano, ele é só teu namorado. Vocês não moram juntos, não tem filhos e não assinaram nenhum tipo de contrato ou fizeram promessa de fidelidade eterna. Ou seja, fica com o outro, experimenta, aproveita enquanto tu és solteira porque depois que vocês casarem tu não vai mais poder fazer isso. E tem mais: o teu namorado nunca vai ficar sabendo que tu ficou com o beltrano e o que os olhos não vêm o coração não sente. “ E foi aí que meus parafusos cerebrais se enredaram e eu me pus a pensar no assunto. Será mesmo que o fato de não ter comparecido na igreja vestida de branco, o fato de não ter assinado um papel, o fato de não dividir o mesmo teto são desculpas pra trair alguém que se gosta??? Será que isso ameniza a dor na consciência depois de consumado o fato??? Ou será que alguém fica com dor na consciência??? Na minha humilde opinião um papel, um vestido branco e uma festa pra 500 convidados não influem em nada sobre a decisão de trair ou não trair. Arrisco até a dizer que a mesma cama e o mesmo teto também não são fatores eliminatórios porque o que a gente mais vê e ouve falar é de gente casada, com filhos e festa de bodas de ouro que pula a cerca sem dó nem piedade. Pra mim o que vale é o que se sente pelo outro, é o respeito que se tem por uma história construída no tempo à duas mãos, muito suor e várias concessões. Se existe parceria, se existe um sentimento de verdade, se existem planos e objetivos em comum, pra que servirá uma terceira pessoa? E que diferença vai fazer uma aliança no dedo esquerdo? Vale a pena provocar um terremoto na relação e arriscar colocar o castelo abaixo por conta de uma outra pessoa??? A resposta, é lógico, depende de quem é a outra pessoa e a quantas anda a relação. Não sei o que a colega desconhecida decidiu sobre o seu dilema, só sei que esse papinho de casamento ou não casamento não homologa ou invalida nada. E aquele discurso de que o que os olhos não vêm o coração não sente é bobagem porque a nossa consciência viu e anotou tudo. |
|||
|
|
|||
| Terça-feira, Maio 13, 2008 | |||
|
Para alguém com quem eu gosto tanto de dormir
CÃO DE GUARDA (RELOADED, A PEDIDOS) Xico Sá “Amar, além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação e na observação da pessoa amada”, sopra o velho escritor Alberto Moravia, sempre aqui na cabeceira. Uma das melhores coisas da vida é observar a pessoa amada que dorme,entregue, para além dos pesadelos diários. Como bem disse Antônio Maria, o grande cronista que aparece com ciúmes até da própria sombra na vida e no livro da Danuza , um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta. Experimente você também, sensíiiiiiiivel leitora, vê o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem. Amar é... vê-lo dormindo como um Garfield lesado e alasanhado. Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo. Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório. Psiuuuuu! Ela dorme. Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio. A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas. Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto. Dorme, meu anjo. Ela obedece. Vigio o sono dela como um soldado zapatista na selva escura. Como um cão zela o sangue do dono. Como se fosse um homem-exército e pronto. Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito. A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos. A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos! O ideal é que você, amiga leitora e sensivi, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre. Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez. Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas. Sonha, sonha, sonha, minha menina. Como é lindo a vigília ao sono dela. Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros. Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho. Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de mapear a sua beleza. É a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos. E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios! Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou nas cartas. Porque dormir do teu lado, mesmo com ruídos desagradáveis ao pé do ouvido, é a melhor coisa do universo. |
|||
|
|
|||
| Quinta-feira, Maio 08, 2008 | |||
|
Coisas que eu sei
A minha pauta pessoal e doméstica não para de crescer. São inúmeras tarefas que eu preciso fazer, mas que para muitas não arranjo tempo. Meu sonho de consumo no momento seria passar uma semana em casa resolvendo as caqueiras da vida moderna de mulher que mora sozinha. E as tarefas não se resumem apenas à minha casa, mas também à minha vida. Vou elencá-las: - Pendurar as primeiras duas luminárias que eu trouxe de São Paulo na sala. Acreditem se quiser, mas há quase 5 anos morando num apartamento próprio e até hoje as lâmpadas estão aparentes, não tinha nenhuma luminária no teto. - Colocar os espelhos que eu trouxe de São Paulo na parede do quarto. Aquele ditado que diz “você não se enxerga?” vale pra mim e eu digo sem vergonha nenhuma que não. - Botar o roupeiro abaixo e fazer aquela triagem básica do que presta e do que não presta e dar à cada um o seu devido fim - Parar de fumar. Oh, God! Mas como são fodidos esses vícios! - Voltar a malhar. Enchi o saco de academia, ando com uma mega preguiça de sair daqui, encarar um congestionamento absurdo, chegar na academia, ficar catando lugar pra estacionar, tirar a roupa nesse frio e ficar 2 horas com os neurônios focados nos músculos. Eu sei que faz bem, eu sei que eu preciso, mas ando sem o menor saco. - Escrever e-mails para alguns amigos que eu não falo há tempos e encontrar outros tantos pessoalmente pra bater um papo e tomar uma cerveja. - Voltar a cozinhar e me alimentar feito gente ou então, usar os armários da cozinha pra guardar livros ou roupas. - Levar o carro na oficina e deixá-lo lá por pelo menos, uns 3 dias pra que todos os defeitos sejam consertados. - A mais importante de todas: ver mais o meu namorado durante a semana. Mas daí isso depende da pauta dele também, que é mais cheia do que a minha. Essas são algumas das tarefas que eu lembro, porque deve ter uma outra parte que está esquecida no meu drive. |
|||
|
|
|||
| Quarta-feira, Abril 30, 2008 | |||
|
Londres
Desde que conheci a capital britânica nesta mesma época do ano passado, não teve um dia em que eu não tivesse pensado na cidade. Há exatamente 1 ano no mesmo horário em que escrevo este post, eu estava no terminal 4 do Heathrow esperando para embarcar no vôo de volta pro Brasil. E meu coração estava apertado porque eu queria muito ter ficado em Londres, tamanho foi o amor que eu senti pela cidade. Não sei explicar porquê, mas rolou uma química muito forte entre nós. Me identifiquei com a cidade, com as pessoas, com o way of life dos milhares de habitantes que vivem por lá.E todo dia me bate uma saudade insuportável de Londres e todo dia eu penso em voltar lá novamente, de preferência na primavera. E eu lembro do cheiro de Londres e às vezes sinto no ar os odores da cidade e eu me transporto praquelas ruas de novo. Todas as vezes que eu ouço Best Of You do Foo Fighters, eu volto um pouquinho pra dentro dos tubes londrinos e lembro daquela voz feminina inconfundível que repetia a cada estação: mind the gap between the train and the plataform. Aaaaaaaaaaaaiiiiiiiii....... E eu não esqueço das ruas, das casinhas tipicamente inglesas, das pessoas nas ruas, do movimento frenético dos carros no trânsito, das coisas acontecendo pela esquerda. Saudade.....
|
|||
|
|
|||
| Terça-feira, Abril 29, 2008 | |||
|
Do frio que faz no céu
Odeio inverno. Odeio frio. Tenho alergia e meu corpo já evidencia as primeiras marcas que anunciam a chegada da estação gelada no hemisfério sul. Odeio botas. Odeio roupas de lã, casacos, mantas enroladas no pescoço e tudo o que dificulta os meus movimentos. Odeio meias. Odeio dias cinzas, chuvosos e úmidos. Queria poder hibernar como os ursos quando chega o inverno e só acordar na primavera. Eu sou de ar, nasci em fevereiro sob o signo de aquário, em pleno verão. Meu sonho é viver num eterno verão. O jeito vai ser ir morar na Austrália um dia pra ver se me livro desse martírio que me assola quando chega o inverno. *********************************************************** Quem me lê aqui há tempos ou quem me conhece, sabe da minha fobia aérea. Detesto voar, perco o controle dentro de um avião, tenho muito medo mesmo. E nesta quinta vou encarar o bicho de frente porque vou sozinha de avião pra São Paulo. Pé de pato, mangalô, três vezes que nada de ruim me aconteça. Amém. |
|||
|
|
|||


